Antigamente, ter uma doença cardíaca era sinônimo de condenação para os pets. Hoje, no entanto, a situação é bastante diferente. A cardiologia veterinária evoluiu muito e tornou-se uma especialidade fundamental para os animais. Os diagnósticos e tratamentos modernos podem garantir mais tempo e uma boa qualidade de vida para cães e gatos.

Abaixo, você vai entender a importância de consultar o profissional especializado em cardiologia veterinária periodicamente.

O coração dos cães

O coração dos cães é bastante parecido com o dos seres humanos. Ele também possui quatro câmaras (átrios/ventrículos) e entre estas, ficam as chamadas valvas atrioventriculares (popularmente conhecidas como válvulas cardíacas). Há outras duas valvas que ficam entre os ventrículos e a saída das grandes artérias do coração.

Da mesma forma, o coração dos pets também é o órgão responsável por bombear sangue para todo o corpo. Assim, o oxigênio é transportado para as células corretamente. Já as substâncias tóxicas, como o gás carbônico, são removidas nos pulmões. 

No entanto, alguns problemas comuns em seres humanos são mais raros na cardiologia veterinária. Os problemas cardíacos podem variar de acordo com a idade e até mesmo com o porte dos pets.

Cães adultos e filhotes

No geral, as doenças cardíacas em cães prejudicam o sistema de bombeamento de sangue. As principais doenças cardíacas em cães acometem o próprio músculo do coração (miocárdio) ou as valvas cardíacas (conhecidas popularmente como válvulas cardíacas).

Em filhotes, os problemas cardíacos costumam ter origem congênita. Malformações nos septos cardíacos e nas valvas são dois exemplos comuns. O que reforça a importância da consulta em cardiologia veterinária nessa fase, especialmente se o médico veterinário detectar alguma alteração na auscultação.

Já em adultos, a medida que o pet envelhece, as doenças degenerativas tornam-se mais frequentes. A Doença Valvar Degenerativa e a Cardiomiopatia Dilatada estão entre os principais problemas tratados pela cardiologia veterinária em cães.

Por conta das diferenças na irrigação sanguínea do próprio músculo cardíaco, o infarto do miocárdio, comum em seres humanos, é uma doença rara em cães. 

Doença valvar degenerativa

A doença valvar degenerativa é provocada por alterações nas chamadas valvas atrioventriculares cardíacas (popularmente conhecidas como válvulas cardíacas). No geral, essas degenerações afetam o tecido conjuntivo nessas estruturas, deixando-as distorcidas e espessas.

As valvas cardíacas funcionam como portas, que se abrem e se fecham para direcionar o fluxo de sangue no sentido correto.

Uma vez degeneradas e sem conseguirem fechar corretamente, o sangue que deveria fluir dos átrios para os ventrículos pode retornar (regurgitação sanguínea). Nos casos mais graves, isso pode provocar acúmulo de líquido nos pulmões e levar ao edema pulmonar agudo.

A doença valvar degenerativa é um dos problemas tratados pela cardiologia veterinária que tendem a acometer com maior frequência cães de porte pequeno, adultos ou idosos. Entre os sintomas, podemos citar:

  • Cansaço exagerado ao se exercitar;
  • Respiração ofegante e ritmo cardíaco acelerado;
  • Tosse cada vez mais frequente;
  • Fraqueza e desmaio.

Por ser um processo lento, a doença valvar degenerativa tende a passar despercebida pelos tutores. 

Uma característica da doença valvar degenerativa é o “sopro” no coração. Por isso, é muito importante consultar o profissional especializado em cardiologia veterinária periodicamente. Ele poderá realizar exames específicos, saberá identificar e diferenciar cada sintoma com precisão, e instituir o tratamento mais adequado para cada paciente.

Cardiomiopatia dilatada

Mais comum em cães de grande porte e gigantes, essa doença acontece quando as câmaras cardíacas (responsáveis por armazenar e bombear o sangue) ficam muito dilatadas. Dessa forma, a tendência é que o músculo cardíaco (miocárdio) torne-se mais fino e enfraquecido.

Uma vez dilatado e fraco, o coração do cão não consegue contrair corretamente, e assim, não consegue bombear o sangue para o corpo, algo muito grave na cardiologia veterinária.

Nos casos mais graves de cardiomiopatia dilatada, a doença pode provocar:

  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Acúmulo de líquido nos pulmões, tórax, cavidade abdominal e tecido subcutâneo.

Cardiologia veterinária: principais sintomas

Vimos acima dois dos principais problemas diagnosticados e tratados pela cardiologia veterinária. Sem dúvidas, quanto antes o diagnóstico for realizado e o tratamento iniciar, maiores as chances de uma boa vida para o cão. 

A partir de um diagnóstico precoce e de um tratamento correto, o cão cardiopata pode ter uma vida saudável e passar mais tempo com a sua família.

Existem ainda diversos outros problemas cardíacos em pets. No geral, os sintomas de que o seu cão precisa consultar um profissional especializado em cardiologia veterinária são:

  • Cansaço fácil;
  • Cianose (língua e extremidades arroxeadas);
  • Tosse;
  • Dificuldade respiratória;
  • Perda de peso.

Fique atento aos sinais do seu companheiro. Consulte o médico especializado em cardiologia veterinária periodicamente. Assim, você demonstra o carinho e a atenção que o pet tanto precisa. O profissionais do Grupo Hospitalar Pet Support podem ajudar.

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Sobre a autora

Dra. Elisa Barp Neuwald (CRMV-RS 8431) realizou Residência em Clínica Veterinária  Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É especializada em Cardiologia Veterinária pela Anclivepa SP desde 2012.