O bom funcionamento dos rins é essencial para a saúde dos cães. Esses órgãos atuam como filtros, eliminando toxinas e resíduos metabólicos do organismo, entre eles, a ureia. Quando há alguma falha nesse processo, o acúmulo dessas substâncias no sangue pode ser um indicativo de que algo não vai bem.
Neste artigo, você vai entender o que é a ureia alta em cães, quais são os sinais mais comuns, como o diagnóstico é feito e quais são os principais tratamentos indicados. Continue a leitura!
Ureia alta em cães: o que é?
A ureia é um resíduo gerado a partir do metabolismo das proteínas ingeridas na alimentação. Após ser produzida pelo fígado, ela é levada até os rins para ser filtrada e eliminada pela urina. Quando esse processo não ocorre de maneira adequada, os níveis de ureia no sangue aumentam, o que pode ser um sinal de comprometimento da função renal.
Em cães, esse acúmulo pode indicar problemas como insuficiência renal, desidratação, intoxicação, entre outras condições clínicas. O mesmo pode ocorrer com os gatos, que também podem apresentar ureia alta, especialmente em casos de doença renal crônica. Embora o foco deste conteúdo seja nos cães, as alterações em felinos seguem mecanismos semelhantes.
“Importante frisar que a ureia alta não é uma doença, mas sim um sinal de que algo precisa ser investigado com atenção. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de preservar a saúde renal do seu pet”, destaca Duane Vendramini, médica-veterinária nefrologista.
Causas da ureia alta em cachorros
O aumento da ureia pode ter diferentes causas, algumas mais simples e reversíveis, outras associadas a quadros crônicos que exigem acompanhamento contínuo. Veja as principais:
Insuficiência renal
A causa mais comum de ureia alta em cães. Pode ser aguda (com início súbito e potencialmente reversível) ou crônica (evolutiva e progressiva). A doença renal crônica costuma afetar pets idosos e exige controle rigoroso.
Desidratação
Quando o organismo perde muita água, a concentração de ureia no sangue pode aumentar. A desidratação pode ocorrer por vômitos, diarreia, febre, baixa ingestão de líquidos, entre outros fatores.
Intoxicação
O contato com substâncias tóxicas (como produtos de limpeza, plantas venenosas ou medicamentos humanos) pode levar à sobrecarga dos rins e comprometer sua capacidade de filtragem.
Hemorragias internas
Perdas de sangue para cavidades internas, como abdômen ou trato gastrointestinal, também podem elevar os níveis de ureia.
Medicamentos nefrotóxicos
Alguns medicamentos podem afetar diretamente os rins, principalmente quando administrados sem orientação médica ou por longos períodos. Anti-inflamatórios e certos antibióticos estão entre os mais sensíveis.
Sinais de ureia alta em cães
A ureia alta nem sempre causa sinais imediatos, mas à medida que os níveis se elevam e a função renal é comprometida, alguns sinais podem aparecer. É importante observar o comportamento do seu pet e buscar ajuda veterinária ao notar qualquer mudança. Veja os sinais mais comuns:
- Perda de apetite: Um dos primeiros sinais notados pelos tutores. O cachorro passa a comer menos ou recusa completamente a ração, o que pode indicar mal-estar generalizado.
- Emagrecimento repentino: Com a falta de apetite e o metabolismo alterado, o pet pode perder peso de forma acelerada, mesmo sem mudança na rotina ou alimentação.
- Pelo opaco: A pelagem pode perder o brilho e se tornar quebradiça ou rala, reflexo do desequilíbrio nutricional e metabólico causado pelo acúmulo de toxinas no organismo.
- Vômito e náuseas: A sobrecarga renal interfere diretamente no sistema digestivo. É comum que cães com ureia alta apresentem episódios de vômitos, enjoo e salivação excessiva.
- Consumo de água em excesso: O aumento na ingestão de água é um sinal de alerta. É a tentativa do organismo de compensar a perda de líquidos e facilitar a eliminação de toxinas.
- Urina em excesso: A poliúria (aumento no volume urinário) pode acompanhar o aumento do consumo de água e indica que os rins estão trabalhando de forma desregulada.
- Fraqueza: Com a progressão do quadro, o pet pode se mostrar mais apático, cansado e com dificuldade para brincar ou fazer atividades rotineiras.
- Feridas na boca e mau hálito: O acúmulo de ureia no sangue pode gerar úlceras na cavidade oral e um odor forte na respiração; sinais comuns em quadros mais avançados.
- Anemia: A disfunção renal pode interferir na produção de hormônios que regulam a formação de glóbulos vermelhos, levando à anemia. Isso agrava o quadro de fraqueza e palidez.
Raças predispostas a doença renal
Embora qualquer pet possa desenvolver problemas renais ao longo da vida, algumas raças apresentam predisposição genética para alterações na função dos rins. Isso significa que, por características hereditárias, esses pets têm maior risco de desenvolver doenças como a Doença Renal Crônica (DRC), especialmente com o avanço da idade.
Nessas raças, é ainda mais importante manter o acompanhamento veterinário em dia e realizar exames de rotina com frequência.
Alterações genéticas, formação anormal dos néfrons (as estruturas filtrantes dos rins), ou maior sensibilidade a processos inflamatórios e infecciosos estão entre as causas que tornam esses animais mais vulneráveis.
Entre os cães mais predispostos a desenvolver a doença renal crônica estão:
- Lhasa Apso
- Shih Tzu
- Sharpei
- Doberman
- Samoieda
- Cocker Spaniel
- Beagle
Se o seu pet pertence a uma dessas raças, converse com o médico-veterinário nefrologista sobre os cuidados preventivos mais indicados. A avaliação periódica e a realização de exames laboratoriais podem fazer toda a diferença para o diagnóstico precoce e o controle da função renal ao longo dos anos.
E embora este conteúdo tenha como foco os cães, é importante lembrar que a ureia alta também é uma condição frequente em gatos, principalmente em razão da maior predisposição à doença renal crônica (DRC), uma enfermidade comum nestas espécies, especialmente em pets mais velhos.
Muitas vezes, os sinais aparecem apenas em fases avançadas; por isso, é essencial realizar check-ups regulares com o médico-veterinário. Quanto mais cedo o problema for diagnosticado, menores os riscos de agravamento do quadro.
Como é o diagnóstico?
A ureia alta é um sinal de que algo pode estar comprometendo a saúde dos rins. E, para entender a causa e a gravidade do problema, é necessário um conjunto de exames. Cada teste ajuda o médico-veterinário a avaliar diferentes aspectos da função renal e a planejar o tratamento mais adequado para o seu pet.
Conheça os principais exames solicitados:
Urinálise
É um dos primeiros exames a ser solicitado quando há suspeita de doença renal. Avalia parâmetros como densidade urinária (capacidade de concentração dos rins), presença de proteínas, glicose, sedimentos e possíveis sinais de infecção urinária.
A urinálise é essencial para detectar alterações iniciais no funcionamento renal, mesmo antes de alterações nos exames de sangue.
Exames bioquímicos (Creatinina e Ureia)
São os exames mais conhecidos para avaliação da função renal. A ureia e a creatinina são resíduos eliminados pelos rins, e o aumento desses níveis no sangue indica dificuldade de filtragem.
Embora úteis, esses marcadores só se elevam em fases mais avançadas da doença. Por isso, costumam ser avaliados em conjunto com outros exames mais sensíveis.
Relação PU/CU (Proteína/Creatinina urinária)
Esse exame quantifica a perda de proteínas na urina. A perda excessiva pode indicar lesões nos glomérulos (estruturas responsáveis pela filtração nos rins) e é um sinal importante de comprometimento renal. A Relação PU/CU ajuda o médico-veterinário a classificar a gravidade da lesão e monitorar a evolução do quadro.
SDMA (Simetrical Dimethylarginine)
É um biomarcador mais sensível para a função renal. O SDMA costuma se elevar antes mesmo da creatinina, permitindo o diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica. Por isso, tem se tornado um exame de rotina em clínicas com estrutura diagnóstica completa, como o Hospital Pet Support.
Pressão arterial
A hipertensão é uma complicação comum em cães com doença renal crônica e pode contribuir para a progressão da lesão nos rins. A medição da pressão arterial ajuda a monitorar e controlar esse fator, protegendo a saúde renal e prevenindo outros danos sistêmicos.
Tratamento para ureia alta em cães
Antes de qualquer intervenção, é importante reforçar: ureia alta não é uma doença, e sim um sinal clínico de que algo pode estar comprometendo a função renal. O tratamento, portanto, vai depender diretamente da causa identificada pelo médico veterinário.
Nos casos mais complexos, o acompanhamento com um médico-veterinário nefrologista é essencial para definir a conduta adequada, monitorar a evolução do quadro e promover mais qualidade de vida ao pet.
A seguir, conheça os principais recursos terapêuticos utilizados:
Fluidoterapia e hidratação
A reidratação controlada é uma medida importante para restabelecer o equilíbrio hidroeletrolítico e favorecer o funcionamento dos rins. Pode ser indicada em casos de desidratação, intoxicação, insuficiência renal, entre outros quadros.
Terapia medicamentosa
O uso de medicamentos varia conforme o diagnóstico e deve ser sempre conduzido por um profissional. Apenas o médico-veterinário pode avaliar a necessidade e a segurança de cada medicamento.
Nunca recorra à automedicação: alguns fármacos são tóxicos para os rins e podem agravar ainda mais o quadro clínico.
Manejo nutricional
A alimentação é parte fundamental do tratamento. Em muitos casos, são recomendadas rações terapêuticas específicas para suporte renal, com formulações que reduzem a sobrecarga dos rins e ajudam no controle dos níveis de ureia.
Essas dietas possuem níveis adequados de proteína, fósforo e sódio, e devem ser prescritas conforme a condição de cada paciente.
Hemodiálise
Em quadros agudos, a hemodiálise veterinária pode ser indicada como suporte. O procedimento é realizado em centros especializados, e pode ser determinante para estabilizar o paciente.
Cuide dos rins do seu pet com atenção e carinho
A ureia alta é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Mesmo quando os sinais parecem sutis, o acompanhamento veterinário faz toda a diferença para detectar alterações precocemente e garantir qualidade de vida ao seu melhor amigo.
No Pet Support, você encontra uma estrutura completa para exames e o suporte de profissionais experientes em nefrologia veterinária.
Agende uma consulta e ofereça ao seu pet o cuidado que ele merece.
FAQ – Perguntas mais frequentes
Quais são os sinais que os rins não estão funcionando bem?
Falta de apetite, vômitos, aumento na ingestão de água e na urina, perda de peso, apatia, mau hálito e alterações no pelo são sinais comuns de que algo pode estar afetando os rins do pet.
Quanto tempo fica pronto o exame de ureia?
O exame de ureia costuma ficar pronto rapidamente, geralmente no mesmo dia ou em até 24 horas, dependendo da estrutura do laboratório veterinário.
O que faz a ureia do cachorro aumentar?
A ureia pode aumentar por problemas renais, desidratação, intoxicação, uso de medicamentos ou hemorragias internas. É um sinal de que o organismo está acumulando resíduos que deveriam ser eliminados.
Qual é o tratamento para ureia alta em cães?
Vai depender da causa. Pode incluir fluidoterapia, ração terapêutica, medicamentos sob orientação veterinária e, em casos graves, hemodiálise. O acompanhamento com um médico-veterinário nefrologista é essencial.
Texto produzido em parceria com a médica-veterinária nefrologista do Pet Support, Duane Vendramini (CRMV-RS 16092)






